Operación Pandora – Estudo da hipótese de invasão venezuelana ao território brasileiro
Neste cenário, consideraremos o “status quo” do dia 07 de dezembro de 2023, serão abordados obstáculos e capacidades apresentadas pelos Exércitos e Forças Aéreas do Brasil e da Venezuela e como isto pode ser relacionado a alguns aspectos inerentes ao problema.
A VENEZUELA e o BRASIL possuem fortes laços, principalmente derivados do alinhamento ideológico dos presidentes de ambos os países. Nicolás Maduro, presidente da Venezuela e Lula, presidente do Brasil, ambos apresentando interesses e objetivos comuns.
Porém, a recente intenção venezuelana de expandir seu território gerou uma divergência aos interesses regionais do BRASIL, estabilidade regional. Desta forma, o presidente brasileiro declarou que não apoiará uma operação militar venezuelana contra o país soberano da GUIANA.
As características da fronteira entre GUIANA e VENEZUELA dificultam a ação militar direta por essa fronteira, devido à inexistência de vias que interligam os dois países (FIGURA 1). Sendo assim, as duas prováveis ações que a VENEZUELA poderá tomar para conquistar o território do ESSEQUIBO seriam uma ação por mar ou uma ação por terra.
FIGURA 1 – FRONTEIRA VENEZUELA/GUIANA

A ação por mar depende unicamente da capacidade da Marinha venezuelana de atacar e apoiar uma incursão, o que pode ser dificultado, uma vez que os Estados Unidos se demonstraram contrários a qualquer intervenção venezuelana. Os EUA possuem capacidades de realizar uma interdição e bloqueio marítimo que garanta a segurança da costa guianesa.
Por outro lado, a incursão por terra teria que ser realizada por território brasileiro, passando em PACARAIMA e consolidando as localidades de UIRAMUTÃ, NORMANDIA e BONFIM, criando assim uma penetrante segura dentro do território guianense.
Existe ainda a possibilidade de incursão pelo rio MAZARUNI (FIGURA 2), porém, por ser uma via facilmente defendida por meio de emboscadas no percurso do rio é o menos provável de ser adotado como esforço principal de um possível ataque.
FIGURA 2 – RIOS DA REGIÃO DE ESSEQUIBO

2 – ANTECEDENTES
VENEZUELA e GUIANA possuem uma disputa territorial complexa e de longa data que recentemente ganhou novos contornos. A área em disputa é uma região de 160 mil quilômetros quadrados localizada a oeste do Rio ESSEQUIBO (FIGURA 3), que hoje responde por cerca de 75% dos 215 mil km2 do território da Guiana. Esta área, rica em minérios e pedras preciosas, está sob controle da Guiana desde que o país se tornou independente, em 1966.